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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Texto da semana - Partidas

     Oi Mademoiselles, hoje é segunda e eu tenho mais um texto para vocês! Hoje o texto é do site Entenda os Homens.
    Gostei bastante do texto pois já passei por situações parecidas com a do texto e todo sentimento que é colocado em palavras foi maravilhosamente bem descrito pelo autor.


A Partida





     O chamado feito por uma voz metálica ecoou em todo o aeroporto. Ela, a responsável pelas recentes marcas nas minhas costas e pelas permanentes cicatrizes na minha história, tristemente, precisava partir.
     Havíamos prorrogado ao máximo a nossa despedida, mas, infelizmente, não tínhamos mais tempo nem para um último café curto. O voo dela decolaria em cinco minutos e ela, incapaz de soltar a minha mão, ainda nem havia cruzado o portão de embarque.
     Pensei em não dizer nada, apenas virar as costas e evitar a dor daquele último abraço. Realmente pensei em sair correndo para não permitir que ela me visse, pela primeira vez na vida, aos prantos e barrancos. Pensei em segurá-la forte e implorar para que ela desistisse daquela nova e promissora vida, do novo e gelado país e, do novo e tão sonhado emprego, mas eu a amava a ponto de, quase sem coerência, torcer para que ela fosse feliz sem minhas caretas diárias.
     Então, pela última vez na vida, carreguei as malas dela. Fui forte como sempre fingi ser e, com a boca involuntariamente trêmula, engoli a imensa vontade de chorar como criança. Não disse mais nada e ela, já com as bochechas molhadas, apenas me disse para ficar bem e para eu me cuidar. Pensei que não seria capaz de me cuidar sem a presença dela. Pensei, mas não disse nada. Apenas sorri com o maior esforço do mundo, pois, ao contrário da minha real vontade, não queria desencorajá-la ou impedi-la de correr atrás daquilo que ela sempre quis.
     Segurei-a pelas orelhas, colei a ponta do meu nariz no dela e, olhando-a no centro das retinas, sem abrir a boca, desejei-lhe a maior sorte do mundo.
     Ela embarcou naquele avião e eu, finalmente, deixei as lágrimas caírem. Corri para o bar no qual nos conhecemos, pedi uma garrafa de rum e lá, depois de onze horas tentando pensar em um plano para me reinventar, recebi um SMS dela que dizia: “Ri, cheguei bem. Fique bem.”.
     Ela, diferente das últimas tantas vezes, não me chamou de “amor” e eu, já completamente embriagado, com muito esforço, escrevi: “Ficarei, não se preocupe. Cuide-se.”.
     Fechei a conta e, ali mesmo, mesmo sem querer, por necessidade e por medo de deixar o tempo parar: abri uma nova vida.


     O Autor do Texto é o Ricardo Coiro.


     Espero que tenham gostado e que quem, como eu já passou por essa situação, Infelizmente (ou felizmente) tenha sentido aquele aperto no peito novamente, como se estivesse vivendo aquele momento de novo.




Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Texto da Semana - Relacionamentos à distância.

     Oi Mademoiselles, hoje trago mais um texto do site Casal Sem Vergonha, e achei ele bem legal e ele fala de uma forma muito sincera e verdadeira sobre uma relação a distancia e como eu já passei por essa situação me identifiquei muito e acho que você que também já passou por isso, vai gostar bastante.

Sobre Relacionamentos À Distância E Saudade


     Haviam esperado dias por aquele momento. Semanas. Meses. Que pareceram anos. Décadas. Séculos. E cada minuto que antecedeu o grande acontecimento pareceu durar horas. Dias. Primaveras. Quando trocaram olhares – e já nem sabiam se era a primeira, quarta ou décima oitava vez que aquilo acontecia -, toda a espera valeu a pena. Todas as noites em que a cama parecia grande demais, que o céu parecia cinza demais e que a vida parecia chata demais ficavam, uma vez mais, para trás. As cortinas do mundo se fechavam lentamente, deixando apenas os dois no palco. O filme era só deles. Cada detalhe do cenário fazia-se importante – e seria lembrado por ambos nas próximas conversas por telefone, nos próximos e-mails, que não tardariam a chegar. Mas agora, ali, estavam juntos… E nada mais importava. (…)
     Não podiam se tocar. Eram apenas duas vozes, duas telas de um monitor, caracteres perdidos em uma conversa. Conversa que se repetia quase que ciclicamente. Pensar que tais brigas não aconteceriam se a distância inexistisse já era ineficaz. A grande dor resumia-se na impossibilidade de encerrar tudo aquilo com um abraço, um beijo, uma transa de reconciliação. O desfecho mais bonito seria encerrar aquela ligação com um simples “Desculpa, eu te amo”, e nada mais. E, com o passar do tempo, aquilo parecia cada vez menos eficiente. Cada vez mais insuficiente.
     Se você vive – ou já viveu – um relacionamento à distância, independente do número de quilômetros ou fronteiras, aposto uma dose de Jack Daniel’s (sem gelo, por favor) que você se identificou com essas situações. Aposto que borboletas já invadiram seu estômago ao cruzar olhares com a pessoa amada e que você já se sentiu a pessoa mais solitária do mundo depois de uma briga por Skype, telefone ou Facebook. A parte boa é que o amor pode sobreviver. A parte ruim é que tudo isso só vai se potencializar.
     O namoro à distância potencializa tudo, sem preconceitos: as coisas boas e ruins. E exige um nível de maturidade, preparo, paciência e dedicação igualmente potencializados. Antes de chegar nesse ponto, porém, aperta o cinto e segura minha mão: essa categoria de namoro se desdobra.

Tipo 1 – Cidades próximas, frequência alta. Nível de dificuldade: baixo
     Vocês não moram tão longe, mas frequentam tanto a rodoviária das duas cidades que já conhecem os motoristas dos ônibus por nome e sobrenome. Encontram-se semanalmente (no máximo quinzenalmente) e conseguem participar ativamente da vida do outro.

Tipo 2 – Cidades distantes, frequência inconstante. Nível de dificuldade: médio
     A distância é maior e, nesse caso, vocês não podem ter medo de avião. Uma webcam se faz importante, e o orçamento anual dos dois precisa ser pensado e repensado para dar conta de todos os gastos extras – e serão muitos.

Tipo 3 – “Amor, vou passar um ano na Europa fazendo intercâmbio”. Nível de dificuldade: difícil
     Vocês sabem que não vão se ver durante um longo período de tempo e que a vida dos dois sofrerá mudanças bruscas com isso, para quem vai e para quem fica. A carência é grande, a insegurança triplica e a possibilidade de se envolver com outra pessoa parece maior a cada pequena discussão.
     
     Não é fácil viver uma história de amor assim, independente de qual for seu tipo de relacionamento, independente da modalidade em que você mais se encaixa. Isso porque a distância, por menor que seja, traz um fator psicológico de peso: a impossibilidade de simplesmente pegar o carro depois de uma discussão – por menor que ela seja – e ir visitar a outra pessoa. Ao mesmo tempo, o bright side da coisa é bright mesmo: cada encontro torna-se único. Vocês vão se lembrar do filme ruim que assistiram no cinema naquele sábado à noite, do domingo que assistiram ao Domingão do Faustão junto com os pais dele, de cada garrafa de vinho e de cada piada ruim que fizeram – e que parece ficar melhor com o tempo.
     Namorar à distância exige maturidade exatamente por essa hiperbolização toda. Da mesma maneira que você vai se sentir a pessoa mais feliz do mundo por estar lutando por um amor tão difícil, que traz um gosto tão doce à boca, vai precisar acreditar o suficiente nele – e lidar com todas as dificuldades inerentes – para aturar o amargo. Muitos de seus dias da semana (ou de semanas e meses inteiros) serão baseados em esperar alguma hora do dia para simplesmente contar o que você fez nas horas que passaram. Contar com quem você conversou, o que fez no trabalho, o que estudou na faculdade – e como durante todo esse tempo a pessoa amada não saiu dos teus pensamentos.
     É preciso ter certeza do que se quer e certeza de que a outra pessoa está na mesma sintonia que você. Talvez esses sejam os dois fatores mais importantes para sobreviver a tudo de ruim que virá, e desfrutar todas as coisas boas.
     No mais, siga em frente, porque vale a pena. Vale as passagens de ônibus. Vale as contas de telefone. Vale cada lágrima de alegria e de tristeza. É simples assim. O amor – perto ou à distância, em todas suas combinações e formas possíveis – sempre vale a pena.

     Este texto é do:



     Espero que tenham gostado, deixem seus comentários.



Beijos, Mademoiselle Carol