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terça-feira, 8 de abril de 2014

Texto da Semana - Com você aprendi...

     Oi Mademoiselle, hoje trago um texto super legal do site Casal Sem Vergonha, espero que vocês gostem!

Breve Lapso de Coisas Que Aprendi Com Você


     Foi com você que aprendi a comer wasabi. E pimenta em geral. Sempre me rendia quando sentia o ardor tomando conta da boca, e tratava logo de dissipar a sensação com qualquer coisa gelada que o apagasse. Mas você me ensinou que pra algumas coisas na vida é preciso treinamento. E paciência. E insistência. Aos poucos a gente ensina o corpo a gostar daquilo. Desde então, meus peixes crus nunca mais foram os mesmos. E várias outras coisas também não.
     Você me ensinou que dormir de conchinha pode ser tão bom quanto sexo (e que dormir de conchinha depois do sexo é o bom elevado ao quadrado). Que tem um lugar onde a gente coloca o braço e que ele não dói. Nem fica dormente. Acrobacia com o corpo pra gerar o encaixe. Que eu nunca imaginava que poderia ser tão simétrico.
     Foi com você que aprendi que aquele papo de que correr atrás do sonho funcionava de verdade.  E era de você que eu ria ao ouvir falar que eu podia sempre mais. E no final, você às vezes parecia saber mais de mim do que eu mesma.
     Foi com você que aprendi também a dirigir na estrada. Sempre dirigi normalmente na cidade, mas na hora em que chegava numa rodovia, sempre dava o jeito de passar o volante pra alguém. Até que numa discussão sobre direitos iguais a gente combinou que você lavaria mais louças e que eu dirigiria mais na estrada – já que viajar sempre foi uma das nossas paixões. O test drive foi de cara uma serrinha com chuva e neblina. Eu jamais daria uma de menininha. Fui até o fim secando o suor gelado das mãos de minutos em minutos, tentando agir normalmente, enquanto fingia que não via seu olhar de orgulho pra mim.
     E você foi meu dupla na aula da vida de como parcerias verdadeiras são sempre poderosas. Na vida e nos relacionamentos. Foi junto com você que aprendi que só namorar é bobeira – bom mesmo é passar o quanto puder do lado de alguém que te enxerga por inteiro, e que mesmo assim te adora. Aquele que vai tomar um porre com você pra comemorar aquela vitória. E que vai te ajudar a limpar o vômito no final caso seja preciso.
     Foi com você que eu passei a gostar tanto de montanha quanto de praia. Sou de Peixes, recarrego minha energia pela água e por isso sempre tive uma queda maior pelo mar, mas foi com você que descobri que a montanha pode ser igualmente apaixonante (principalmente se tiver uma cachoeira perto!). E foi do seu lado que aprendi que o lugar pouco importa – o que faz toda diferença mesmo é a companhia.
     Aprendi que aquela história de que ninguém mais presta no mundo é papo de quem tem preguiça de procurar. Que eu devia dar uma segunda chance pra coxa-creme. Que apesar do meu siricutico de querer levantar cedo, ficar mais 10 minutos na cama com você sempre vale a pena. Que o peso do corpo de quem a gente ama em cima do nosso corpo não pesa. Que ser metade é muito chato, bom mesmo é ser inteiro. Que eu jamais vou conseguir fazer um café tão bom quanto o seu. Que dá mesmo pra se reapaixonar todos os dias. Que quando a gente ama, tudo de bom é possível.
     E que o amor é cafona pra caralho, mas que é uma das coisas mais lindas da vida.

O texto é da: 



Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 10 de março de 2014

Texto da Semana - Sempre tem um babaca

     Oi Mademoiselles, hoje tem um texto que no meu ver, quase todas vão se identificar, pois acho que todas já tiveram um babaca na vida! ahahhaha Espero que gostem e saibam que eu sei como é difícil se livrar deles! 
O texto é do site Casal Sem Vergonha!

Uma homenagem aos babacas que passaram por nossas vidas



     Todo mundo já teve (ou vai ter) um babaca na sua vida. Os babacas (podem ser homens ou mulheres) são aquelas pessoas que estão mandando claras mensagens de que não estão nem aí para você e ainda assim você insiste. Você resiste. Você persiste.
     O babaca é aquela pessoa que quando você cita o nome dela numa roda de amigos, todos eles fazem cara feia. Porque seus amigos te amam e querem seu bem. E o babaca não. O babaca é aquela pessoa que quando você finalmente consegue se livrar dele, quando, de fato, a existência dele não age mais como uma toxina no seu corpo, você não consegue acreditar que pôde se envolver com alguém assim.
     Ainda assim, agradeça ao babaca por ele ter entrado (e saído! É importante que ele saia!) da sua vida.
     Certamente o babaca fez você valorizar mais o amor. Fez você ver com clareza o que é ser bem tratada; o que é ser amada; o que é ser desejada por alguém. Não por ele, é lógico. Mas pelos outros que virão depois (ou os que vieram antes e você deixou passar).
     O babaca faz você entender que amor correspondido não é uma coisa fácil. Não basta o papo ser legal e o sexo ser incrível. Amor correspondido não é uma flecha que num dia qualquer atinge seu babaca e ele percebe que te ama. Talvez ele tenha te amado. Talvez ele tenha tentado. Mas não é tão simples assim. Por isso quando você conhece aquela pessoa que te ama de verdade, você valoriza muito mais esse amor. Sem contar que o primeiro babaca da sua vida, aciona um radar para outros babacas. Agora você vai conseguir identifica-los com mais precisão e, assim espero, livrar-se deles na primeira oportunidade.
     O babaca te prepara para os trancos e barrancos da vida amorosa. Ele dá uma ligeira endurecida naquele seu coração que antes parecia uma bola gigante de manteiga. Só não deixe que ele endureça demais. Vamos combinar que uma consistência de pudim é o ideal, tá?
     Tudo o que você sofreu com o babaca, serviu para mostrar que você aguenta e ninguém morre de amor. E quando aquela pessoa legal aparecer na sua vida você vai estar mais madura, mais atenta e mais preparada para receber e retribuir todo esse amor. Por isso tudo que ele te ensinou, hoje agradeça ao seu babaca (mas agradeça mentalmente, não precisa mandar inbox e recomeçar o caso tóxico de vocês, por favor!).


O texto é da: 


Beijos, Mademoiselle Carol

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Texto da Semana - Um homem para casar

     Oi Mademoiselles, mais um texto da semana para vocês, eu adorei e espero que vocês curtam também! O texto é do site Casal Sem Vergonha.

Case-se com um homem que…




     Case-se com um homem que deite no seu colo, de um jeito meio largado, meio descompensado, meio de quem pede ajuda porque o chefe é um mala e as coisas só dão certo porque ele tem você no fim do dia. Não escolha alguém que faz tudo por você, que vive por você, que atende todos os seus caprichos. Sabe por quê? Porque um cara desses deixaria de ser dele pra ser seu, se esqueceria da vida dele pra viver a sua e, cá entre nós, você quer somar, não é? Ou quer alguém que viva por você, não com você? Por isso mesmo é que você deve se casar com alguém que traga um novo mundo pra juntar ao seu e que te mostre como os seus planetas ainda podem ser desalinhados de uma forma bonita.
     Case-se com um homem que te desperte. Da cama, do medo, dos pesadelos. Que te beije na testa com ternura e faça cafuné, mesmo sabendo que você odeia que enrolem o seu cabelo. Um homem desses que despenteiam, desses que deixam uma bagunça gostosa no meio campo. Queira um homem, um cara, um rapaz, seja lá o seu termo preferido, que tenha um olhar que não te atravesse. Alguém que vai olhar pra você e ver quem você é, sem construções idealizadas ou suposições construídas na fantasia. Sem olhares que atravessam e se desviam, que não encontram os seus olhos e caminham pelo seu corpo. Escolha os olhos daquele que sustenta o mundo quando te olha. Ele tem que ser forte, e talvez a força dele seja essa de te ajudar a dividir o peso do mundo nas costas, de te ligar no almoço pra dizer que te ama e que nunca se esqueceu de ti.
     Queira um cara que vá se emocionar quando vê-la entrando na igreja. E que se emocione com você de pijama acordando. Que te ache linda independente do seu manequim e que se orgulhe de você pelas suas conquistas do dia a dia, até aquelas pequenininhas como conseguir passar do primeiro dia da dieta. Case-se com um homem que vá rir de você quando você fizer um escândalo por ter quebrado a unha ou por ter furado o dedo pregando um quadro na parede. Ele tem que ser do tipo que sabe que você não precisa dele, e por isso mesmo que fica. Fica e vai ficando, vai se alojando no sofá, vai deixando a escova de dentes e quando você for ver, ele vai ter aprendido alguma receita no Google pra tentar te impressionar. Valorize um homem pelo esforço dele, não só pelo resultado final. Você vai perceber que um homem que se esforça pra te ver feliz é um homem que vale mais do que qualquer Encantado que a Disney tentou te vender como homem perfeito. Desconfie de um cara sem defeitos. E aprenda: tipos perfeitos como os dos livros infantis não existem. O que existe são homens que, ao seu modo, conquistam você e fazem pender a balança pro lado das qualidades, enquanto você aprende a lidar com os defeitos.
     Deseje um guri que seja louco. Não por você, mas pela vida. Gente louca pela vida gosta de explorar o mundo, a cidade, a rua de cima, o novo restaurante japonês da Liberdade e tudo mais. Gente que é louca pela vida entende bem de liberdade, companheirismo, amizade e todos esses sentimentos que só quem gosta de viver entende. Além disso, te garanto que gente assim tem um ótimo papo. Daqueles que não contam vantagem e ainda desenham na sua cabeça as cenas todas que alguém com muita paixão já viveu. Daqueles que fazem você se apaixonar sempre que falam da forma com que o mundo deles mudou desde que você chegou.
     Por fim, mas não menos importante, case-se com um homem que te ame em detalhes. Nos cartões das flores, na careta da selfie, na camisa cafona que a sua mãe deu de presente, na vez em que ele percebeu que você tinha cortado o cabelo antes de você falar, nos pedidos de comida às duas da madrugada quando ele percebe que você tá morrendo de fome e cagou pra dieta, no anti-alérgico que ele carrega na carteira caso você precise.  Case-se com quem te faça sentir que esse texto é pouco pra falar dele e te faça vontade de continuar a escrevê-lo, mesmo que você não seja lá muito boa com palavras, mesmo que você só saiba definir o que sente por ele como amor.


O autor é:






Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Texto da Semana - Não tenho pena!

     Oi Mademoiselles, mais um texto para vocês, e essa semana o texto é do site Casal Sem Vergonha. Espero que gostem, pois eu amei!
     Estou sumida daqui devido a mudança mas já já eu volto com tudo!

“A Bela e o Burro” por Tati Bernardi – Crônica



       
        Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre.
     Mas, pela primeira vez, triste por você. Fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de 32 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.
     Que outra mulher te veria além da sua casca? Você não entende que eu baixei a música do “Midnight Cowboy” e umas boas do Talking Heads, Vinícius de Morais e do Smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. Uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. É tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. E você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. Tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora.
     Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. Ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. A casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas “quem gostar de mim não serve pra mim”.
     E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
     E você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta. Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.
     Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.
     Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto. Bastante assunto.
     Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba. Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
     Também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.
     Por Tati Bernardi:

     Tati Bernardi é uma daquelas escritoras que parecem falar com a gente. Difícil ler um texto dela e não se identificar – nem que seja com uma situação ou outra, com uma lamentação, com um desabafo, com aquele pedacinho de vida que deixa nossos dias melhores, com sutilezas que a gente sente, mas esquece que notar. E, de repente, sem perceber, você está vibrando ou morrendo de compaixão por ela, com vontade de pegar na mão ou mandar email dizendo: “Eu sei exatamente o que você está sentindo.” E pra despertar tantos sentimentos em corações alheios e distantes, tem que ser muito boa no que faz.




Beijos, Mademoiselle Carol

domingo, 15 de dezembro de 2013

Texto da Semana - A vida é agora.

     Oi Mademoiselles, hoje venho com mais um texto da semana para vocês, do site Casal Sem Vergonha.
     O texto de hoje é maravilhoso, e nos trás muitas reflexões, o que é ótimo para o fim do ano, pelo menos pra mim. Todo ano tento melhorar em algo e esse textos nos ajudam bastante. 
     Sempre fiz o que amo, escolhi uma profissão não convencional, mesmo tendo uma família de médicos, as vezes me pego agindo por impulso e nem sempre isso é uma coisa ruim, se algo me incomoda eu falo e isso facilita o convívio ou acaba de vez! ahahhaha
     Sou daquelas que amam intensamente quando vejo que o outro merece, não confio em todos facilmente, mas se confio boto a mão no fogo sem nem pensar, sou amiga de poucos, mas os poucos, sempre vão poder contar comigo, mas acima de tudo, me vejo como uma pessoa feliz, e sim, se eu morresse agora, eu morreria feliz, por tudo que fiz e pelo o que sou. 


O Caminho Precisa Ser Tão Empolgante Quanto a Chegada



     Todo dia ela também faz tudo sempre igual. Acorda, toma banho, faz café, dá uma checada no Instagram, vai pro metro, pensa em como odeia aquela lotação matinal, chega no trabalho, ouve um pedido do chefe, faz o que ele manda, almoça, começa a contagem regressiva, vai comer uma coxinha na padaria, olha pro relógio, olha pro relógio de novo. Hora de ir embora. Pega o metro de volta, chega em casa, toma um banho, assiste um programa qualquer na TV, come um lanche, programa o despertador pro dia seguinte, vai dormir. Pra repetir tudo de novo no dia seguinte. Se você perguntar a ela o porque dessa rotina diária ela vai te responder como quem responde uma coisa óbvia – porque eu preciso de grana, porque preciso ser consequentemente promovida até chegar numa posição bacana, pra me aposentar como um salário legal, talvez viajar pra alguns lugares, comprar uma TV de plasma, trocar de carro. Essa realidade talvez possa ser um pouco parecida com a sua, ou bem diferente – o que importa é que os mesmos erros acontecem em situações diversas:
     Vive-se pensando num destino final. Esquece-se que a trajetória deveria ser tão importante quanto a chegada.
     Os sonhos costumam causar esse tipo de confusão nas nossas vidas. Não há nada de errado com eles, pelo contrário, mas acontece é que muitas vezes deixamos de viver o presente pra sonhar com uma realidade futura que nem sabemos se irá acontecer. Você sabe como é. Posso parar de digitar esse texto pra ir pegar uma água na cozinha, tropeçar na escada e morrer ali mesmo. Trágico? Sim. Impossível, com certeza não. Lembra daquela velha máxima que pra morrer basta estar vivo?
    De fato, sempre achei a felicidade assustadora demais pra algumas pessoas. Fala-se tanto dela que a constatação da sua existência parece ser algo surreal. É como ser apresentado para a Madonna. Você sabe que ela existe, mas vê-la assim a centímetros de você, se aproximando pra dar um beijinho, chega a ser até assustador. Mesmo que você fosse fã, que cantasse Like a Virgin quando ainda era virgem de verdade, esse encontro não poderia ser natural. Felicidade é assim também. Como podemos presumir que não há realmente algum sentido claro na vida – até porque se houvesse a gente já teria descoberto depois de tantos anos – a gente busca dar um significado pra nossa existência, que muitas vezes é o sonhado “ser feliz”. Então trabalhamos para um dia sermos felizes, malhamos para um dia ficarmos gostosas, estudamos para algum dia termos uma profissão, recolhemos tributos para algum dia nos aposentarmos. No meio de tantos afazeres em busca da felicidade, nos esquecemos do essencial – o hoje, era o amanhã de ontem. Algum dia a gente fez planos para que hoje estivéssemos felizes, mas nem nos demos conta que o futuro chegou já que estamos ocupados demais pensando no futuro de amanhã.


     E é então que surge aqueles cliques na vida que nos deixam apavorados: se o presente é a sua única garantia, você pode dizer que está feliz hoje? Se um meteoro se chocasse com a Terra nos próximos minutos você poderia dizer que morreu feliz? Ou estaria apenas existindo enquanto sonhava com um futuro que, lamentavelmente, não chegou? Será que a TV de plasma pendurada na sua sala compensa as horas do seu dia em que passa na frente do computador, fazendo um trabalho para alguém que não gosta, contando os segundos pro relógio chegar nas 18h? Será que o diploma pendurado na parede e a foto com chapéu de formanda na cabeceira da cama dos seus pais compensa a enorme quantidade de horas que passou trancada numa sala ouvindo professores despejarem teorias que não tem nada a ver com você, apenas pra trilhar uma profissão que é bem vista pela sociedade?
     Saber onde quer chegar é essencial pra não ser levado por quaisquer ventos. Mas viagem até lá precisa ser aproveitada. Então, tire um pouco o peso da vida das suas costas. Sorria mais por motivos bobos. Gaste mais tempos com os amigos. Ande mais descalço. Cante aquela sua música preferida do Chico em alto som, enquanto as pessoas nos carros ao lado pensem que você é louca. Aliás, seja um pouco mais louca. Pegue um avião pra encontrar aquele amor. Troque o emprego certo por aquele que faz seu coração descompassar, mesmo que todos te digam pra não fazer isso. Mergulhe no mar mesmo que tenha acabado de arrumar o cabelo. Largue a colher e coloque a mão naquela massa grudenta. Converse com as plantas. Peça conselhos pro seu cachorro. Esqueça o guarda-chuva em casa. Vista aquela roupa que só você acha linda e que está totalmente fora de moda. Ria dos seus problemas. Pague uma fortuna por aquela caixa de chocolate com pistaches – coma um por um pensando em como a vida é boa. Deixe de comprar aquele sapato e alimente 5 moradores de rua. Lembre-se de como somos fúteis. Dispense o aperto de mão, tasque logo um abraço. Ligue no dia seguinte e diga que ele tem a boca mais gostosa que você beijou na vida. Se tomar um fora, pelo menos dividiu aquele pensamento com alguém. Saia em menos fotos, vivencie mais momentos. Esqueça de carregar seu celular por 3 dias. Se estiver na dúvida, lembre-se do meteoro que pode atingir a Terra a qualquer momento.

     Já dizia Caio F. – a vida é agora, aprende.

ps: alguns dias depois desse texto ter sido escrito, um leitor nos deu a dica de um vídeo criado pela Box1824 (uma empresa de pesquisa especializada em comportamento jovem) que fala exatamente sobre esse assunto: como as novas gerações estão tendo uma nova visão de realização profissional, que precisa estar alinhada com paixão. O vídeo é ótimo e vale muito a pena assistir:


     Autores: 


     Espero que tenham gostado, boa reflexão!







Beijos, Mademoiselle Carol

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Texto da Semana - Saudade

     Mais um texto para você e novamente o texto é do Ricardo Coiro (gênio) e eu retirei do site Casal Sem Vergonha.
     Cada vez q eu leio esse texto eu me apaixono, sinto saudade e me encanto cada vez mais, além de sempre ler ele de uma maneira diferente e sentir saudades de pessoas, momentos e coisas diferentes.

Aquela Coisa Chamada Saudade


     Nada nesse mundo tem mais toneladas do que a saudade, nada. Saudade é uma dor imensurável e sufocante presente em cada hiato. É sentimento abstrato que esmaga o peito como se fosse concreto. A saudade é a vírgula quilométrica enraizada entre dois pontos, dos muitos textos que a vida infelizmente pausa por falta de prosa e até pelo excesso de rosas. Saudade afia os ponteiros do relógio, transforma poucas horas em cortes profundos, dominados por flashbacks com ardor de álcool cuspido sobre ferida aberta, aparentemente incicatrizável. A saudade nos afoga com as águas calmas do passado, desfoca o presente e congela o futuro como faz o frio polar de uma nevasca.
     A saudade transforma qualquer música em motivo para pensar naquilo que partiu dentro de um avião, que nunca deveria decolar, nem por decreto do Papa. Saudade é emoção indivisível, razão incontestável para relembrar o gosto inesquecível daquela pessoa que mudou nossos passos, gestos e hoje, infelizmente nos considera gasto, empoeirado. A saudade é a sombra maldita que não precisa da luz solar para nos seguir por cada calçada da vida. Ela repousa num banco de passageiros vazio, dorme em nossa insônia, esconde-se nos presentes que prendemos em caixas lacradas, blindadas pelo medo de encarar as memórias boas. 
Ela transforma comercial de televisão em lágrimas reais, faz homem barbado virar menino ansioso em dia de natal, como um cachorro que espera o dono todo dia ao pé da porta, mesmo que esse nunca mais volte pra casa. A saudade enlouquece, embriaga, faz o mundo todo ter uma só cara e nenhuma cura. A saudade é um bar que já saiu rotina, um prato de risoto que foi comido antes do gozo, um beijo único no meio do olho. É o medo de perder uma peça em meio à multidão e nunca mais encontrar outro alguém que encaixe tão bem nesse quebra-cabeça. Saudade é temer a vinda do novo e teimar em achar que o velho sempre será a melhor parte dessa obra de arte, chamada vida



     A verdade nua e crua é que ninguém nesse palco real está imune ao pesar da saudade, a dor latejante das inevitáveis partidas e aos planejamentos que talvez permaneçam inacabados até o fim da vida, esquecidos numa lista eternamente guardada no fundo da gaveta, mas nunca jogada fora. Desconheço alguém nesse universo grandioso que não tenha perdido o chão, a cabeça, a pose e até mesmo a sanidade quando deu de cara com esse tal sentimento com aparência de muralha intransponível e cheiro de fotos velhas. Não existe colete à prova de saudade, nem formas de blindar nossa vida dos estilhaços daquilo que vai e nem sempre volta.
     Sendo bem sincero, existem sim algumas dicas para quem não quer esbarrar com a saudade: recuse toda e qualquer alegria que te faça gargalhar até sentir dor nos músculos da barriga, nunca se envolva com pessoas capazes de colorir teus dias mais cinzas e chuvosos, coma tudo sem sal e sem tempero, não viaje, não saia de baixo do edredom por nada, não beije nem na bochecha, não faça sexo e em hipótese alguma conheça seus avós se a vida lhe der essa oportunidade imperdível.
     Não sei vocês ilustres leitores, mas eu prefiro carregar essas mil toneladas de saudade, ainda que em meio a lágrimas e memórias martelantes, pois só assim terei a certeza que estou vivo de verdade, sem talvez, nem porém. Afinal, saudade é corpo de delito das coisas boas da vida.




     Espero que tenham amado esse texto e sentido todas as emoções que ele passa como eu! E um muito obrigado ao Ricardo Coiro pelo texto, dessa forma você deixa a vida mais fácil de ser compreendida e vivida.



Beijos, Mademoiselle Carol

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Texto da Semana - Permita-se amar

     Oi Mademoiselles, hoje trago para vocês mais um texto da semana do site Casal Sem Vergonha. Espero que gostem do texto escolhido ele tem muito haver com essa minha fase de crescimento e de mudanças.

O Looping das Relações Amorosas - Você Também Já Entrou Nele?



     O poder de ter algo que sempre se buscou nas mãos causa uma estranha reação nos seres humanos. Algo curioso, que desafia o raciocínio lógico. Como se o guepardo usasse todas as células do seu corpo para alcançar o cervo e, assim que o tivesse dominado, largasse a caça, a esmo, para ser devorada por outros predadores. Esse fenômeno curioso acomete os humanos na vida e, principalmente, nos relacionamentos.
     Assim que detectamos a presa, ela parece se transformar na coisa mais importante de nossas vidas. O coração dispara, a boca seca, as mãos suam, a voz trava na garganta. Alguns descrevem, inclusive, a sensação de ter o estômago povoado por borboletas. A euforia do início de uma paixão provoca reviravoltas no corpo e na mente. Tamanha determinação em direção a um alvo, na maioria das vezes, termina em sucesso. E então, quanto temos aquele que um dia parecia apenas um sonho distante, sentado do nosso lado no sofá comendo pipoca numa sexta a noite, a calma volta a reinar dentro de nossos seres. O coração retoma seu compasso. A mente volta a funcionar depois de um período em pane. Não é por acaso – estudos mostram mesmo que se os sintomas da paixão durassem por muito tempo, nosso corpo entraria em colapso.
     Mas paixão é como droga – dá sempre vontade de mais uma dose, de mais um trago. De repente olhamos para aquele ser que amamos, com quem dormimos agarrados, com quem dividimos o último pedaço do bolo preferido, e vemos que ali há tudo, menos a sensação de euforia do começo. Como a roupa nova que, no início parecia nos deixar mais bonita mas que, depois de um tempo de uso, perde o poder de despertar o que há de melhor na gente e vira mais uma peça como as outras no armário, sem brilho.
     E nessas, seguimos trocando o quentinho do amor pela adrenalina da paixão. De repente todo o amor daquele que se importou o bastante pra ficar parece não ser o bastante pra matar nossa fome. Ingratos que somos, agimos como filho mimado que abre a geladeira cheia de coisas e resmunga que não tem nada de bom pra comer. Trocamos parceria pelo frio na barriga. Menosprezamos quem nos cuida.


     Sim, temos todo o direito (e na verdade, a obrigação) de perseguirmos aquilo que nos faz feliz. Temos apenas que ter cuidado para não cairmos na armadilha da mente e do ego. Ao menosprezarmos aquele que amamos e que nos ama em troca da euforia do início, estamos, relacionamento após relacionamento, desperdiçando a chance de viver relações profundas e significativas. E então, é possível constatar que não amamos o outro – amamos em primeiro lugar o nosso ego. Não conseguimos resistir à tentação do jogo da conquista, do flerte, do nosso poder de dominarmos as pessoas. Enganados pelas peripécias da mente, dispensamos nossos amores por acharmos que o que tem lá fora é sempre mais interessante.
     O irônico é que o jogo de conquistas, assim como o amor quentinho, também cansa uma hora.  E então começamos a lembrar de como era bom ter um cúmplice do lado. De como aquela conchinha era acolhedora. De como o sexo com intimidade era gostoso. De como as conversas eram enriquecedoras. De como o café da manhã compartilhado tinha mais sabor. De como era bom ter alguém pra quem ligar pra contar as notícias boas e as nem tanto.

     E, adivinha?

     Saímos mais uma vez em busca daquilo que não temos.
     As paixonites já não nos satisfazem mais. Queremos alguém pra chamar de nosso. Nos cansamos dos joguinhos, da insegurança, de não saber o que passa pela cabeça do outro, das baladas, das pessoas que somem sem motivo, dos casos que não dão em nada, dos sexos frígidos. E então, nossa meta passa a ser buscar alguém com quem dividir a cama e a vida. De novo.
     O lado bom é que temos o poder de escolha. Quando entendemos que é o amor, e não as manipulações ou as máscaras,  o remédio pra todos os males do mundo, então podemos nos permitir amar. Sem ansiedade. Sem siricutico. Sem achar que o que dura muito é ruim. Sem a angústia de querer um prato novo em cada refeição. Quando aprendemos a usufruir da calmaria do amor,  nos desalienamos e conseguimos enxergar por trás da névoa perigosa do ego – só então somos finalmente capazes de sair desse ciclo vicioso de amores e dores. E só então podemos ter o prazer de usufruir da única coisa real que temos na vida – o agora.

Os autores são:


Beijos, Mademoiselles Carol

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Texto da Semana - Não quero sair dos 20 anos!

     Oi Mademoiselles, dei uma sumida nesta duas ultimas semanas, mas volto com o texto de segunda feira que todos gostam, hj ele veio na terça, mas vai voltar a ser postado na segunda!  O texto é do Site Casal Sem Vergonha.  
     Hoje trago um texto que tem norteado muito meus pensamentos e de muitos amigos, estou me formando, mudando de cidade e tendo que ter a responsabilidade de um adulto, que nunca tive antes, e faz pouco tempo que isso vem acontecendo, mas já estou com um medo e vontade de não sair dos 20 anos, e voltar para fase tranquila e sossegada! 

Somos Tão Jovens – Uma Crônica Sobre A Dor E A Delícia De Amadurecer


     Acabei de receber um convite para um chá-bar. Despretensioso, por e-mail, com um layout moderninho. Só gente boa na lista de convidados, gente com muito amor pra dar e pra receber. Mas preciso desabafar: aquilo soou um pouco assustador pra mim. Poderia ser apenas uma boa oportunidade para rever bons amigos e tomar bons drinks, mas arrisco dizer que não é.  Não que eu seja adepta daquela historinha sem graça de “mimimi, perdemos mais um guerreiro para o time dos casados”. Quero mesmo é que todo mundo seja feliz nessa vida da maneira como convier: a um, a dois, a três ou de quatro. E pode até ser que eu esteja fazendo tempestade em copo d’água, mas pra mim, por enquanto, a verdade é tão somente essa: perdemos mais um guerreiro. Não para o time dos casados – afinal, o que é o casamento senão um contrato social para firmar algo que já existe há certo tempo? –, mas para um time muito mais experiente e bom de bola. Um time que não leva desaforo pra casa e que não tem tempo a perder: o tão temido time dos adultos.
     Dramática, eu? Com todo o prazer da minha ascendência grega. Mas antes isso fosse apenas um simples surto de drama. Há duas semanas, eu fui ao quarto casamento de uma amiga no período de um ano – o que dá, em média, um casamento a cada três meses. E há três, me vi passeando por entre estandes de roupa infantil na Benedito Calixto para comprar uma roupa para o filhinho de um casal de amigos. Na minha timeline do Facebook, que antes era composta quase que exclusivamente por vídeos de bandinhas hipsters que me dão no saco que eu nem tenho ou por protestos políticos dessa gentinha de esquerda (como vocês costumeiramente se referem a mim), agora vejo uma enxurrada de conhecidas grávidas e uma avalanche de amigos postando fotos de bebês que, se fosse há dois anos, seriam meros sobrinhos, priminhos ou irmãozinhos temporãos. Mas que hoje, são filhos. F-I-L-H-O-S. Fabricados por aquele processo delicioso que a gente costuma chamar de sexo. Enquanto eu só faço pra brincar, tem gente fazendo pra valer. É. Parece que a realidade me bate à porta. E acho que já tá na hora de abrir.
     Que atire a primeira pedra quem nunca foi minimamente acometido pela tão condenada síndrome de Peter Pan. Não necessariamente estou falando, cara, de ser, cara, um integrante, cara, de uma banda de rock, cara, brasileira dos anos 80, cara. Nem de se recusar a assumir um novo posto profissional com medo das responsabilidades. Mas, sim, daquela vontade angustiante de gritar ao maquinista do mundo: PARA, QUE EU QUERO DESCER. Ou volta 20 estações, que eu quero retornar à minha infância. Quero colinho de mãe, quero leite quente com bolacha Passatempo no café da manhã. Quero subir numa bicicleta e pedalar sem rumo pela estrada de terra, quero cair e ralar os joelhos só para sentir o ardor do Merthiolate. Quero dormir sem hora pra acordar, quero que minha única preocupação na vida seja fazer a tarefa de matemática. Não quero contas a pagar, não quero amores mal resolvidos. Só quero amor de mãe.
     Mas a gente cresceu, brôu. Primeiro arranjou um emprego. Depois um amor. Depois umas contas a pagar. Depois um filho – ou uma legião de cachorros. Depois mais contas a pagar. E quando se deu conta, a infância já havia virado uma realidade distante. Quase utópica, de tão distante. Era o adulto batendo à porta. E a gente abriu só uma frestinha, que era pra ele ir entrando aos poucos, descompensando aos poucos, enlouquecendo aos poucos. Não vou dizer que a vida adulta seja só ônus, porque não é. Ao contrário da pressão social que nos é imposta, ninguém é obrigado a casar e a ter filhos – temos bônus da liberdade de escolha. Presumindo que conquistemos o nosso próprio dinheiro, podemos fazer o que bem entendermos com ele – temos o bônus da independência. O nosso repertório de vida parece minimamente suficiente para resolvermos problemas que antes nos deixariam sem dormir – temos o bônus da maturidade. Descobrimos o verdadeiro sentido da vida depois de experimentarmos a primeira gozada – temos o bônus do sexo, a coisa mais deliciosa que eu já experimentei até hoje.
     Sem dúvida, se eu tenho estrutura emocional para suportar um corpo e as responsabilidades dos vinte e poucos anos, é, em partes, por causa da criança que fui. Mas se eu pudesse deixar um conselho a ela, eu diria: prenda-se menos às regras – elas foram feitas para te limitar. Apronte um pouquinho mais – mas aguente todas as consequências das suas molecagens. Estude um pouquinho menos – mas só um pouquinho. Você poderia ter ainda mais cicatrizes nos joelhos se tivesse sido mais displicente com a tarefa do inglês. As melhores coisas da vida, menina, você vai aprender na escola. Mas, definitivamente, não na sala de aula.


     A autora é: 


     Espero que tenham gostado e se identificado com o texto como eu!



Beijos, Mademoiselles Carol

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Texto da Semana - E se eu não tivesse você!

     Oi Mademoiselles, mais uma segunda e mais um texto da semana para vocês. E o texto é do site Casal Sem Vergonha, espero que vocês gostem!

Encaremos os Fatos – O Amor da Sua Vida É Totalmente Substituível


     Talvez a culpa seja dos contos de fadas. Ou dos filmes de Hollywood. Ou ainda de Romeu e Julieta ou de Tristão e Isolda*. O fato é que o amor romântico povoa nossos desejos desde o século XII. E não é fácil se desassociar de uma cultura tão antiga, por isso muita gente ainda se sente ofendida quando deixamos de lado a água com açúcar dos ideais românticos e colocamos os pés de volta na realidade.
     A fusão proposta pelos ideais do amor romântico é extremamente sedutora pra muita gente. Queremos acreditar que o outro nos completa. Queremos acreditar no amor eterno. Insistimos em falar da metade da laranja. Queremos crer que nenhuma conchinha será mais satisfatória do que aquela feita com o amado. Alimentamos a fantasia de que jamais alguém iria te amar tanto quanto o seu namorado. Mas, sejamos honestos. O quanto disso é real?
     Entorpecidos pela satisfação de encontrar um amor, fingimos não ver o quão absurdas essas idealizações são. Ok, o abraço do seu noivo pode ser extremamente aconchegante mas, se por algum motivo, ele não estivesse lá, será mesmo que nenhum outro abraço no mundo seria tão bom? Pouco provável. Você diz pra sua mulher que transar com ela é incomparável, mas se fizesse o teste com mais um grupo de mulheres, certamente encontraria outra no mesmo nível – não igual, mas com outras habilidades e gostosuras. Você diz que ninguém mais no mundo te entenderia como o seu amado mas, já fez o teste? Às vezes o vizinho do 91 poderia ser tão ou mais compreensivo do que seu namorado. E poderia ainda vir com o bônus de saber cozinhar. Você diz pra que que quer ficar junto pra sempre, mas tem noção real do que isso significa? Quantas vezes você achou que seu mundo iria acabar depois de um término de relacionamento mas, quem diria, olha você aí inteira de novo?
     O fato é que, pouco a pouco, essa mentalidade tem perdido espaço na sociedade atual. Por mais que os românticos insistam em não desmanchar o sonho, ele irá se dissolver cedo ou tarde. É como quando você era criança e acreditava em Papai Noel – tudo parecia incrivelmente mágico até que, num puxão de barba, você descobriu que o bom velhinho na verdade era seu tio Augusto. Seria bom prolongar a fantasia? Com certeza. Mas ela cedo ou tarde se desfaz. E temos observado essa mudança nos dias de hoje. Cada dia fica mais difícil conciliar o amor por si próprio e o amor pelo outro. Adaptar a nossa realidade à dos nossos parceiros fica cada dia mais difícil já que uma das maiores buscas atuais é pela liberdade. A ideia de ser dependente do outro, de que sua vida perderá o sentido se ele se for, parece cada dia mais fantasiosa. O amor romântico começa a sair de cena, levando consigo a ideia de que para ser um inteiro, é preciso encontrar a sua outra metade em alguma esquina do mundo.
     Tem uma música do cantor Tim Minchin que trata desse assunto de uma forma surpreendentemente divertida e realista. A música começa como uma canção romântica normal mas, aos poucos, vai se revelando uma letra muito mais autêntica. Vale muito a pena assistir. O vídeo tem legenda em português – para ativá-las, basta apertar o botão CC ou Captions, o segundo botão no canto inferior direito.


    *Primeira história na literatura a lidar com o amor romântico e, considerada por muitos, como a maior história de amor do mundo.

Os autores são:

     E ai, o que acharam do texto, concordam? Gostei bastante dessa ideia, pois o ser humano é capaz de se adaptar a tudo, a mudanças de temperaturas, moradia e de tudo mais, e no amor também é assim, ele substitui, adapta e segue a vida, por mais difícil que seja.



Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Texto da Semana - Não tenha medo de se afogar no meu amor...

     Oi Mademoiselles, hoje é segunda e eu trago mais um super esperado texto da semana, que é do site Casal Sem Vergonha.
     É engraçado como em alguns momentos da vida alguma musicas, filmes e textos podem transmitir um pouco do que estamos passando ou sentido, e o texto de hoje mostra um pouco de uma realidade que fez parte de alguns momentos da minha vida e da vida de muito gente!



Prefiro Uma Overdose De Amor - A Um Amor Mais Ou Menos


      Eu não espero que você me entenda.
  Toda essa loucura de guardar sentimentos que não conseguimos nomear é por demais complicada. Esse monstro enorme que esmaga meu peito quando olho sem pretensão através da janela e constato que o mundo apenas continua rodando. Deveria ser simples. O mundo acontece. Nós acontecemos. Em meio a circunstâncias insanas e inexplicáveis, nós simplesmente acontecemos. Tem tudo pra ser simples.  Mas não é.
     Mesmo que você não fique, obrigada por voltar. Ainda que você não me procure mais, que não me ligue no dia seguinte. Ainda que você foda minha vida e me faça sofrer feito louca, obrigada por fazer com que cada milímetro do meu corpo se manifeste em sensações incompreensíveis e maravilhosas. É bem verdade que já fazia algum tempo que ninguém arrancava de mim alguns sorrisos sinceros.
     Eu vou finalmente andar por aí com o peito cheio de novo. Se de tristeza ou de amor, isso eu não sei. Talvez um pouco dos dois. O mais importante é que eu vou voltar a achar que o céu é a metáfora mais linda que existe no mundo. Vou imaginar as histórias felizes e inusitadas que existem por detrás dos rostos que eu trombar na rua. Vou sorrir para crianças correndo e gritando, para carros passando em alta velocidade em poças de água e cachorros com as patas sujas pulando no meu jeans. Amar alguém não é só amar alguém. É amar o universo e tudo o que ele tem de feio e sem graça. É sentir a dor do mundo inteiro dentro do peito e achar simplesmente encantador. O amor é mais louco do que a própria loucura.
     Não amar alguém para mim é estar na Sibéria. É permanecer nua em meio às calotas polares. No calor cáustico do mais quente deserto e sem água. Por isso, eu entendo se você sair correndo, com medo da extravagância de amor que eu sou quando amo alguém. Eu extrapolo limites aceitáveis e fantasio céus de inferno. Eu não sei mesmo amar um pouquinho, com doses controladas, desejar com conta-gotas. Eu sou uma piscina de exagero, e tem muita gente que acha que não vale a pena pular. Se não quiser pular, eu te perdoo. Você tem que ter certeza de que quer nadar, para não achar ruim comigo caso se afogue. Não se preocupa em ir embora. Você vai viver sua vida, e ela vai ser bonita mesmo longe de mim. Você nasceu para ter uma vida bonita com qualquer pessoa. Eu vou ficar tristíssima por algum tempo. Vou chorar ouvindo Alcione e me arrastar por azulejos gelados, arranhando meus joelhos, olhos inchados. Só não te culpa, porque é por isso que eu vivo. Para sentir coisas imensas, incontroláveis, sentir meu peito inchado, ainda que seja de tristeza. Eu prefiro quase morrer de uma overdose de sentimentos complexos do que viver pra sempre no mais ou menos.
     Hoje eu vou te pedir pra ficar. Com toda a sinceridade que existe no meu coração: eu quero que você se torne minha casa. Mas se mesmo assim o seu coração deseja ir embora, não pense duas vezes. Não acho que seja mesmo fácil me estancar. Se aquieta, porque eu não vou enlouquecer, eu tenho minhas causas, minhas transas, minhas lutas, meus projetos interrompidos. Eu tenho uma vida fora da vida que eu queria ter com você. Tenho amigos hilários, cervejas geladas e cinzeiros cheios. Eles dão conta da minha inconstância, de alguma forma inexplicável.
     Então, se você não consegue ficar, pode ir despreocupado. Saiba: você vai ser pra sempre um capítulo especial da minha história. Vou esquecer a sua existência por algum tempo, para então, numa tarde tediosa de domingo eu te lembrar e te ler inteiro, fixando a minha atenção nas tuas partes confusas, nos teus momentos brilhantes, nas linhas mal escritas pela urgência do nosso desejo.
     Você é maravilhoso, nunca duvide. Se a minha piscina te assusta, alguma te fará mergulhar e nadar feliz.
     E eu? Bem, eu continuo aqui, no meu rumo para ser oceano.

A autora do texto é:


     Espero que tenham gostado e se identificado com o texto! E até a próxima segunda.




Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Texto da Semana - Primeiro Encontro

     Como hoje é segunda, temos mais um texto da Semana para vocês e hoje o texto também é do site, Casal Sem Vergonha.

Primeiro Encontro: O Prazer de Descobrir Que Nada Vai Sair Como Você Planejou



     Você passa dias elaborando mentalmente cada passo. Cada palavra que vai dizer, e como dizer. A hora do beijo. Talvez uma leve discussão depois, para dar uma quebrada, ou aquela piada clássica que os fará rir. No final da noite talvez vocês transem ou você apenas se encaixe confortavelmente no peito dele e adormeça. Ou talvez as duas coisas – por que não?
     Em pensamentos, você planeja, remonta e refaz. Reconstrói o filme da noite perfeita, antes de dormir. Às vezes chega até a sonhar… E cada a dia que passa diminui o espaço de tempo, mas aumenta o pensamento e a frequência cardíaca. Qualquer minuto ocioso dentro do ônibus ou na fila do banco se torna uma verdadeira oficina de histórias de amor, qualquer pensamento súbito ou música especial já faz o seu coração disparar.
     Você pensa em tudo. Separa aquela roupa que marca as suas curvas, aquela sombra que valoriza o seu olhar. Perfume? Ah, claro. Pra não ter erro, você usa aquela fragrância cítrica com notas amadeiradas, que ele já disse que gostava. Fica em dúvida sobre o que oferecer para beber: algo mais leve ou algo mais forte? Suquinho ou logo uma tequila ou aquele uísque caro que você guarda para ocasiões especiais? E depois de tantos planos e de ter trabalhado com as mais diversas hipóteses, vem o acaso e lhe dá um tapa na cara. De mão aberta.
     Porque talvez dê tudo errado. As palavras sumam. Comece a chover. A bebida acabe antes da hora. Por mais ensaiada que seja sua espera, no momento, as coisas mudam, as pernas tremem e o olhar entrega. Pouco importa a roupa e detalhes que antes pareciam tão fundamentais. De repente você vê seus planos do avesso, e tudo aquilo que você sequer cogitou começa a acontecer. E te surpreende. Te pega de jeito…
    De que adiantou perder noites de sono ou a concentração no ônibus planejando algo que fugiu totalmente da curva? Todo o roteiro cinematográfico que você refez mil vezes foi invadido por personagens inesperados e por acontecimentos que não estavam no script. E você foi inundada por aquela sensação gostosa de enfim conhecer o inesperado. Aquele alguém repentino que apareceu meio que do nada. A forma desengonçada e até mesmo engraçada como vocês interagiram nas primeiras vezes. Aquele beijo que te pegou de surpresa. O suspiro que você deu sem querer.
     E não importa quantos anos você tenha, a história sempre se repete. O friozinho na barriga volta. Você rascunha um roteiro digno de Hollywood, mas as páginas em branco serão preenchidas pelas surpresas do acaso. E depois que passa? Ah, as vezes a gente ri. Talvez se arrependa por ter deixado para lá; talvez se arrependa, anos mais tarde, por ter levado adiante. Foi bom para você? Quem sabe. É o acaso que sempre nos conquista. Por isso, menos planejamento e mais improviso. Deixe a mente aberta e o coração livre para o que está por vir. Deixe fluir.

     E a autora do texto é:



     Espero que tenham gostado, deixem seus comentários e semana que vem tem mais.




Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Texto da Semana - Relacionamentos à distância.

     Oi Mademoiselles, hoje trago mais um texto do site Casal Sem Vergonha, e achei ele bem legal e ele fala de uma forma muito sincera e verdadeira sobre uma relação a distancia e como eu já passei por essa situação me identifiquei muito e acho que você que também já passou por isso, vai gostar bastante.

Sobre Relacionamentos À Distância E Saudade


     Haviam esperado dias por aquele momento. Semanas. Meses. Que pareceram anos. Décadas. Séculos. E cada minuto que antecedeu o grande acontecimento pareceu durar horas. Dias. Primaveras. Quando trocaram olhares – e já nem sabiam se era a primeira, quarta ou décima oitava vez que aquilo acontecia -, toda a espera valeu a pena. Todas as noites em que a cama parecia grande demais, que o céu parecia cinza demais e que a vida parecia chata demais ficavam, uma vez mais, para trás. As cortinas do mundo se fechavam lentamente, deixando apenas os dois no palco. O filme era só deles. Cada detalhe do cenário fazia-se importante – e seria lembrado por ambos nas próximas conversas por telefone, nos próximos e-mails, que não tardariam a chegar. Mas agora, ali, estavam juntos… E nada mais importava. (…)
     Não podiam se tocar. Eram apenas duas vozes, duas telas de um monitor, caracteres perdidos em uma conversa. Conversa que se repetia quase que ciclicamente. Pensar que tais brigas não aconteceriam se a distância inexistisse já era ineficaz. A grande dor resumia-se na impossibilidade de encerrar tudo aquilo com um abraço, um beijo, uma transa de reconciliação. O desfecho mais bonito seria encerrar aquela ligação com um simples “Desculpa, eu te amo”, e nada mais. E, com o passar do tempo, aquilo parecia cada vez menos eficiente. Cada vez mais insuficiente.
     Se você vive – ou já viveu – um relacionamento à distância, independente do número de quilômetros ou fronteiras, aposto uma dose de Jack Daniel’s (sem gelo, por favor) que você se identificou com essas situações. Aposto que borboletas já invadiram seu estômago ao cruzar olhares com a pessoa amada e que você já se sentiu a pessoa mais solitária do mundo depois de uma briga por Skype, telefone ou Facebook. A parte boa é que o amor pode sobreviver. A parte ruim é que tudo isso só vai se potencializar.
     O namoro à distância potencializa tudo, sem preconceitos: as coisas boas e ruins. E exige um nível de maturidade, preparo, paciência e dedicação igualmente potencializados. Antes de chegar nesse ponto, porém, aperta o cinto e segura minha mão: essa categoria de namoro se desdobra.

Tipo 1 – Cidades próximas, frequência alta. Nível de dificuldade: baixo
     Vocês não moram tão longe, mas frequentam tanto a rodoviária das duas cidades que já conhecem os motoristas dos ônibus por nome e sobrenome. Encontram-se semanalmente (no máximo quinzenalmente) e conseguem participar ativamente da vida do outro.

Tipo 2 – Cidades distantes, frequência inconstante. Nível de dificuldade: médio
     A distância é maior e, nesse caso, vocês não podem ter medo de avião. Uma webcam se faz importante, e o orçamento anual dos dois precisa ser pensado e repensado para dar conta de todos os gastos extras – e serão muitos.

Tipo 3 – “Amor, vou passar um ano na Europa fazendo intercâmbio”. Nível de dificuldade: difícil
     Vocês sabem que não vão se ver durante um longo período de tempo e que a vida dos dois sofrerá mudanças bruscas com isso, para quem vai e para quem fica. A carência é grande, a insegurança triplica e a possibilidade de se envolver com outra pessoa parece maior a cada pequena discussão.
     
     Não é fácil viver uma história de amor assim, independente de qual for seu tipo de relacionamento, independente da modalidade em que você mais se encaixa. Isso porque a distância, por menor que seja, traz um fator psicológico de peso: a impossibilidade de simplesmente pegar o carro depois de uma discussão – por menor que ela seja – e ir visitar a outra pessoa. Ao mesmo tempo, o bright side da coisa é bright mesmo: cada encontro torna-se único. Vocês vão se lembrar do filme ruim que assistiram no cinema naquele sábado à noite, do domingo que assistiram ao Domingão do Faustão junto com os pais dele, de cada garrafa de vinho e de cada piada ruim que fizeram – e que parece ficar melhor com o tempo.
     Namorar à distância exige maturidade exatamente por essa hiperbolização toda. Da mesma maneira que você vai se sentir a pessoa mais feliz do mundo por estar lutando por um amor tão difícil, que traz um gosto tão doce à boca, vai precisar acreditar o suficiente nele – e lidar com todas as dificuldades inerentes – para aturar o amargo. Muitos de seus dias da semana (ou de semanas e meses inteiros) serão baseados em esperar alguma hora do dia para simplesmente contar o que você fez nas horas que passaram. Contar com quem você conversou, o que fez no trabalho, o que estudou na faculdade – e como durante todo esse tempo a pessoa amada não saiu dos teus pensamentos.
     É preciso ter certeza do que se quer e certeza de que a outra pessoa está na mesma sintonia que você. Talvez esses sejam os dois fatores mais importantes para sobreviver a tudo de ruim que virá, e desfrutar todas as coisas boas.
     No mais, siga em frente, porque vale a pena. Vale as passagens de ônibus. Vale as contas de telefone. Vale cada lágrima de alegria e de tristeza. É simples assim. O amor – perto ou à distância, em todas suas combinações e formas possíveis – sempre vale a pena.

     Este texto é do:



     Espero que tenham gostado, deixem seus comentários.



Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Texto da Semana - E o amor próprio, cade??

     Segunda é sinônimo de?? texto da semana! E hoje o texto é novamente do site Casal Sem Vergonha.
    Antes mesmo de vocês lerem ele, é importante lembrar, o "menino" do texto tem apenas 13 anos, mas também existem muitos eles e "elas" de 18, 23, 33 anos e assim vai.

Até quando insistir? – A linha tênue entre a atitude e a falta de amor-próprio



     Todo mundo nasce com probleminha de fábrica. Não importa a cor, o credo, o sexo, a orientação sexual ou a classe social. Eu, por exemplo, nasci com uma assimetria facial danada e com 33 dentes na boca. Na verdade, nasci banguela, mas vocês entenderam. Tem gente que nasce com a coluna torta, tem gente que nasce vesguinho, tem gente que nasce com pé chato. RPG, óculos, bota ortopédica. Tem gente que nasce com deficiência auditiva, tem gente que nasce sem poder enxergar, tem gente que nasce com síndrome de Down. Vienatone, desenvolvimento dos demais sentidos, muito amor e carinho. E tem gente que nasce com falta de uma pecinha que não se vende no mercado, com uma lombriga que a medicina não pode curar, com um encosto que não há santo que resolva. É a falta de amor-próprio, o mais nocivo de todos os males.
     Aí o bonitinho cresce. Sem o hormônio do amor-próprio, mas ainda assim, cresce bonito, forte, jogando futebol, visitando os avós aos domingos e tirando 9,5 nas provas de matemática. Eis que vem a adolescência, aquela fase em que as meninas querem morrer de vergonha com o desenvolvimento dos peitinhos e os meninos ainda não sabem lidar com aquele pau que endurece até com as carícias do vento. E é aí que mora o perigo para os portadores do hipoamorpropismo, porque essa, geralmente, é a fase em que acontece também a primeira paixão. Arrebatadora, sorrateira, sagaz. Se bobear, ela entra na sua casa, entra na sua vida, mexe com sua estrutura e sara todas as feridas. Ainda por cima, sem você perceber. E aí, meu amigo, já é tarde. Como num passe de mágica, aquela moreninha de óculos da sexta série passa a habitar o seu pensamento, o seu prato de arroz e feijão do almoço, a água do seu banho e as plumas de ganso do seu travesseiro.
     É chegada a hora de você demonstrar a sua tão estimada atitude – já que absolutamente todos os manuais dizem que a característica mais admirável num homem é a atitude. Você passa perfuminho, uma borrifada atrás de cada orelha. Coloca aquele suéter azul marinho que a vovó diz que fica lindo em você. Penteia os cabelos pela primeira vez desde o começo do ano. Compra um botão de rosa – singelo, mas bonito – e escreve um cartãozinho, afinal, já lhe disseram que agrado sem cartão perde 70% da graça. Rosana, você é a menina mais bonita que eu já vi nos meus breves 13 anos de vida. Toda vez que você passa pelo pátio, segurando aquela pilha de livros, eu tenho vontade de te convidar pra sair. Agora que a coragem veio, encare o convite como oficial. Eu ficaria muito feliz em ir ao cinema com você. Ass.: Binho, 6ªA.
     Acontece que a Rosana leu o bilhete, agradeceu acanhada e virou as costas. Deve ser timidez – é o que dizem as revistas adolescentes, verdadeiros manuais de perpetuação de uma sociedade machista e patriarcal. Toda mulher fica acanhada, e rejeitar na primeira é importante para que ela não se desvalorize. Afinal, mulher tomar a atitude é um tanto quanto absurdo, meu filho. Aí você chega na Rosana mais uma vez – o que custa ser gentil, não é mesmo? A estratégia agora é outra: ela está estudando para a prova de ciências. Você se senta ao lado dela e começa a observar. Ela permanece lá. Quanto mais vai se aproximando, mais ela vai recuando. Sabe aquela história de dar um passo a frente enquanto o outro dá dois atrás? Então, é mais ou menos isso. Até que ela se sente ~acanhada~ mais uma vez, pega o material e vai estudar em outro lugar. Aí você pensa: pode ser que ela não estivesse muito bem-humorada hoje, ou que ainda esteja se fazendo de difícil. E tenta mais uma vez, porque é brasileiro e não desiste nunca. E mais uma. E mais outra. Até que a Rosana aparece namorando o cara mais feinho da sua classe. Sim, aquele de óculos, aparelho e tanta espinha que faz lembrar um Chokito.
     E a pergunta que não quer calar na sua cabeça é: o que ele tem que eu não tenho? Eu lhe digo que são pelo menos três coisas. Não, não é dinheiro. Nem um pau de 30 centímetros. Nem pacto com o capiroto. É bom senso, respeito ao outro e amor-próprio – a receita mais básica para uma vida amorosa saudável. Sim, só isso. Quem diria que é tão simples, não é mesmo?

E o texto é da:


     Espero que tenham gostado do texto dessa semana.




Beijos, Mademoiselle Carol

terça-feira, 23 de julho de 2013

Texto da Semana - Viver e não ter a vergonha de "estar triste".

     Hoje é segunda Mademoiselles, e tem texto da semana para vocês! O texto dessa semana é novamente do site Casal Sem Vergonha.

Abaixo A Ditadura da Felicidade – Pelo Direito Às Lágrimas Sinceras


     Pois se eu quiser sofrer, que me deixem sofrer em paz. E se eu não aguentar mais, que me deixem desistir. “Não desista nunca!”, eles diriam. Ora, eu desisto se quiser (na verdade, se não quiser mais). Não acho que desistir seja sinal de fraqueza. E mesmo que fosse, eu tenho o direito de fracassar também. A sociedade nos enfia uma obrigação de sorrir o tempo todo goela abaixo que a gente engole e… abre um belo sorriso. Pois é isso que temos feito de melhor.
     A felicidade que nos é imposta sequer é aquela felicidade calma de uns anos atrás. É uma felicidade exagerada, exuberante, forçada, brilhante, com glitter, que pisca na nossa cara feito um letreiro de motel. E qualquer “felicidadezinha”, dessas mais singelas, não serve pra nada.
     Hoje em dia ninguém curte fossa mais. Sem aquilo de se enfiar em um pijama, assistir filmes melosos, comendo brigadeiro e lembrando “dele”. Ao invés disso, hoje em dia, a gente se enfia em um tubinho preto, calça o salto alto e vai pra balada porque a gente “já superou”. Hoje em dia o sujeito vai ao enterro da mãe e tem que sair de lá de cabeça erguida, porque “você é forte, você vai superar isso”. O cara é atropelado, quebra as duas pernas, a clavícula e o braço direito, mas “opa, você só quebrou 3 dentes, dá um sorriso pra foto!”.
     Será que essa felicidade obrigatória (e também exagerada, exuberante e forçada) não seria o motivo do aumento nas filas dos psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, psicodélicos, psicocinéticos, psicopatas e psyducks…?
     Piadinhas infames à parte, hoje em dia não é permitido mais reclamar sobre o seu emprego, não é permitido chorar quando se está triste, não é permitido acordar sem dar bom dia aos passarinhos. Se bobear, daqui a pouco nem picar cebola vai ser permitido mais porque lágrimas não são bem vistas aqui. Qualquer um que perceba que não consegue sorrir 24 horas durante o dia começa a achar que há algo errado. Com a sociedade? Não, com você. Antigamente se você sofria demais, não estava contente com o trabalho ou a vida pessoal, corria o risco de ser taxado de dramático ou “reclamão”. Época boa essa. Hoje em dia você “tem que se tratar”, “acho que você é bipolar”, “já ouviu falar em rivotril?”. E aí dá-lhe consulta com psicomédicos, dá-lhe terapia. A tristeza é então tratada como uma nova patologia. Na verdade, nem só a tristeza, a simples falta da felicidade como é vendida já é algo a ser tratado.
     A obrigação de ser feliz vem nos tornando secretamente cada vez mais infelizes. Porque a gente pega tudo aquilo que não está agradando, joga dentro de uma gaveta lá no fundo da mente e diz “xiiiiis” pro mundo. Porque a mente pode estar destruída e o coração despedaçado, mas o creme dental branqueador fez um ótimo trabalho no sorriso (afinal, tem sido a única parte sua que você vem mostrando por aí).
     Sempre tive uma quedinha pelo drama e, sinceramente, prefiro mesmo um bom drama do que toda essa alegria pré-fabricada. Um drama sincero, pelo menos. O sorriso é bom quando surge na cara da gente por vontade própria, como um direito que todo ser humano tem de se acabar de rir por coisa alguma. Acontece que o ser humano tem o direito de se acabar de chorar também.
     Abaixo o imperativismo camuflado na seção da autoajuda. “Levante”, “supere”, “faça”. Pela despatologização da não felicidade. Por um mundo onde chorar ou sorrir seja permitido, mas não obrigatório. Liberdade de expressão não é o suficiente. Eu quero liberdade de sentimento. Se for pra chorar, que seja um choro breve, mas livre. E se for pra ser feliz, que seja de verdade.


E a autora é:




Beijos, Mademoiselle Carol