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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Texto da Semana - Quem nunca?

     Mais um texto da semana pra vocês e o de hoje novamente é do site, Entenda os Homens e o texto é do Ricardo Coiro.

Quem nunca passou da conta?




     Confesso que bebi além da conta, mas, e daí? Quem nunca bebeu, amou, acreditou, pensou, agiu, falou, calou ou errou, além da conta? Quem de nós está imune à constante incompreensão dos limites? Quem de nós, ao menos uma vez, foi capaz de descobrir o que existe depois do muro sem nunca tê-lo ultrapassado? Quem de nós foi capaz de acreditar na existência da consequência sem, por curiosidade, desatenção ou displicência, precisar marcar um encontro arriscado com a causa?
     Fui obrigado a sentir o gosto do sangue para saber que precisava aprender a desviar do murro. Precisei conhecer alguns Judas para descobrir que poucas juras são realmente verdadeiras. Para entender que os dizeres, por mais belos que pareçam, podem não passar de mentiras, algumas vezes, tive que esbarrar em beijos inescrupulosos e com a boca de quem amava na boca de sabe-se lá quem. Mas, se quer saber, e daí? Depois de vomitar até me desfazer da última tripa, de chorar até perder a última lágrima e de sangrar até secar a última veia, percebi que o coração não sai pela boca. Nunca.


O autor é: Ricardo Coiro



     Amei o texto e espero que vocês também tenham gostado!




Beijos, Mademoiselle Carol

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Texto da Semana - Não me deixe só!

     Oi Mademoiselles, hoje tem mais um texto pra vocês! O texto dessa semana é do site Entenda os Homens, um site que cada dia eu gosto mais.

Por que algumas pessoas não conseguem ficar sozinhas



     A solidão é uma droga. Essa primeira frase, sozinha, responderia a pergunta aí em cima. Mas, calma, eu juro que esse texto fará algum sentido, nem que seja te mostrar que pode haver textos sem sentido algum, mas que você lerá até a última linha. Vai entender.
     É impossível ser feliz sozinho, já dizia o Vinícius, e quem sou eu para discordar? Nada melhor que um corpo quente em noite fria, um brinde com cerveja gelada em domingo de praia, com bons amigos e um bem-querer ao lado, já que ninguém é de ferro.
     Eu só não poderia escrever um texto apenas pra te dizer que a solidão é ruim. Preciso, afinal, aprender a fugir do clichê. Acontece que algumas pessoas simplesmente não conseguem ficar sozinhas nunca. Elas precisam de companhia para fazer as refeições, para ir ao cinema, passar os feriados e até pra fazer o número dois – acredite você ou não.
     Essas pessoas se recusam à própria companhia. Querem tanto conhecer outras pessoas e outros mundos, que esquecem de olhar o seu próprio mundo. E aí, adeus autoconhecimento.
     Mas desfrutar da própria companhia é igualmente necessário – e maravilhoso. Aquela taça de vinho acompanhada da sua música predileta não necessariamente precisa de um brinde. Se você quer ir ao seu restaurante predileto e ninguém quer ir junto, você não precisa comer miojo ou recorrer ao delivery. Vá consigo mesmo. Parece filosofia barata de um forever alone que passa as noites de sexta escrevendo sobre um assunto qualquer, e pode até ser que sim.
     Eu gosto da solidão para coisas rasas ou profundas. Gosto de estar sozinha para pensar sobre o sentido da vida ou simplesmente desmanchar as pontas duplas do meu cabelo. Para escutar minha música predileta a todo volume sem fones de ouvido. Pra falar sozinha, andar pelada pela casa, dançar de um jeito que eu nunca dancei em pista nenhuma, a não ser de pijama em cima da cama.
     E é por toda essa liberdade solitária que eu não compreendo pessoas que dependem tanto do outro. Que mal saíram de um relacionamento e já estampam letreiros luminosos de “procura-se”, sem sequer se dar o direito de digerir os próprios sentimentos. Vão se atropelando, se apoiando em quem quer que seja, porque, na verdade, não conseguem se valer sozinhos. É triste ver pessoas que simplesmente não sabem lidar consigo mesmas, não conseguem passar um sábado sequer em casa vendo TV e comendo pipoca – sozinhos. Só de vez em quando, pra se descobrir, se conhecer e, acima de tudo, se amar. Depois, volta-se para os amigos e os amores, naturalmente.
     Nascemos sozinhos e assim morreremos, disso ninguém duvida. Construir relações bonitas no decorrer da vida é o que há de mais lindo, mas depender delas é o início de uma catástrofe pessoal.






Beijos, Mademoiselle Carol

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Texto da Semana - To com saudades...

     Oi Mademoiselles, hoje tem mais um texto para vocês, e o texto de hoje é lindo, fiquei apaixonada na forma na qual ele é escrito, espero que gostem.
     O texto é o do site Entenda os Homens.

Tô com saudade dela – Porque há amores que nunca se vão



     A verdade é que tá foda. Ontem descobri que o amor da minha vida encontrou o amor da vida dela. Quando vieram os papos de aliança dourada, eu quis desconversar, mas não teve jeito, meus amigos disseram alto: ‘Esquece de vez. Ela vai casar’.
     Palavra não é revólver, mas mata tanto quanto. Não sejamos hipócritas, o sorriso de quem a gente ama também nos deixa destruídos no canto. Basta que não tenha sido ao nosso lado que os lábios, felizes, se abriram. E não entro em exageros de depressão e o caralho que for. Falo de perder o chão, as estribeiras, entender o que é dor.
     Depois da notícia busquei meu altar e sequei duas garrafas de whisky. Não encontrei alívio algum. Escutei dez ou cem músicas de fossa. Nenhuma pareceu dizer o que eu queria dizer, o que eu queria escrever, o que meu coração precisava gritar.
     Se eu começar a falar de sexo, aí é que a coisa fica feia. Ela transformou um menino em homem. Me dizia o que queria e como queria. Me ensinou o que a língua faz enquanto as mãos podem estar na nuca ou dando tapas de amor. Ela é dessas que não tem pudor. Faz do sexo o templo sagrado que deve ser. Seu limite é o gemido alto, o entorno é só um detalhe. De fantasias mil, eu já tive ao meu lado a mulher mais safada e independente que já se viu; e se verá.
     Foi tanta coisa ao lado dela que minha cabeça me trai: começo a achar impossível alguém preencher todo o vão que ficou na partida. A gente já jogou bola na praia; eu – sem ciúme – já incentivei ela a diminuir a saia. A gente já tomou cerveja no gargalo; também fomos juntos conhecer o Brasil de carro. Ela nunca fez teatro, mas numa das nossas viagens encenou que morreu. Nunca vi aquela filha da puta rir tanto como quando eu gritei: ‘Pelo amor de deus, amor: acorda! Puta que o pariu, acorda!’
     Falo por mim: ela é dessas que você dá corda à partir de um só sorriso. Joga o cabelo pro lado e te pede o isqueiro. Quando você menos percebe, daria o mundo inteiro para mais cinco minutos ouvindo cada palavra que sai daquela boca. Ainda não sei se aquela área de fumantes fez parte do melhor ou o pior dia da minha vida. Ainda não sei o que vale a pena nessa vida. Porque nos apresentar pessoas tão distintas e marcantes se logo depois vai nos tirar à força? Talvez eu ainda precise entender que felicidade é o beijo que se dá no presente, não planos de futurismos baratos.
     Todos os dias eu ainda lembro que ela é do tipo que inspira só por respirar. Cujas palavras formavam frases que me queimavam o juízo. Dessas que têm no cabelo o cheiro que eu queria sentir ao deitar. A pele que eu queria sentir com a palma da alma quando acordasse. A voz, meu Deus, dessas que eu queria guardar e fazer música dentro de mim. Ela é assim: linda. E sobrava tanto que quando eu encostava nela, me sentia lindo também. E aqui falo de beleza que sai dos poros, não nas capas. Ela era justa. Podia gritar, podia chorar, podia implicar; mas eu morreria ao lado de uma justa. Só que não deu. Num desses dias esquisitos, sumimos. Ela foi pra lá. E eu vim parar aqui.

     Tô com saudade dela.


O autor é: Fabio Chap


     Amaram o texto tanto quanto eu?? Deixem seus comentários. E se você conhece algum site ou autor legal, deixa a dica aqui nos comentários ou no facebook do blog.



Beijos, Mademoiselle Carol

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Texto da Semana - Sozinha não

     Oi Mademoiselles, hoje tem mais um texto da semana para vocês, espero que gostem tanto quanto eu gostei. O texto é do site Entenda os Homens.

Ela é solteira, não sozinha


     Ela é solteira. Não sozinha. Ela pinta as unhas de vermelho quando quer. Mas, também, sabe deixar as unhas em cacos quando dá vontade. Esbanja esquisitices ao falar dos seriados prediletos e se cala quando o assunto é sobre o porquê dela não ter namorado.
     Ela usa vestido de tricô, daqueles clichês para tomar chá quando o tempo é frio. E bebe cervejas em canecas como homens pré-históricos. Ela ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também, se derrete mais do que picolé em frigideira quando recebe um SMS romântico de madrugada. Mas por que não namora?
    Ela acorda, escova os dentes de quem já usou aparelho, toma chocolate quente, se arruma e vai trabalhar. Prefere usar preto. Mas desbanca qualquer havaiana bonita quando inova em alguma vestimenta cheia de flores coloridas, sabe? Ela é linda e desconversa. Fala do tempo, do futebol, da novela, da mãe, da crise do Paraguai e do Joseph Gordon-Levitt. Mas por que cê não namora?
     Quando o assunto é sexo, ela fala menos do que escuta. Escuta com os ouvidos, com os olhos, com a boca e com os pelos da coxa. Transa menos do que deseja. E sabe esconder alguma aspirante a Sônia Braga dentro daquele decote comportado. Ela curte os Beatles, os Novos Baianos, Caetano e o Cícero. E fala que eu tenho péssimo tom de voz. Lê Caio, Keroauc, Fante e Gabito. Mas diz que, também, gosta das minhas histórias.
     É estranha, também. Assumo. Corta o cabelo de acordo com as fases da lua e gosta de comer macarrão com feijão. Gosta de umas bandas que ninguém conhece e chora com as histórias do Nicholas Sparks. Liga o ar condicionado porque gosta de dormir sentindo frio e acaba repousando feito uma esquimó com meias e edredom. Uma linda esquimó, por sinal. Não sabe usar o celular. Costuma atender as ligações somente após a quarta tentativa de chamada. Não, ela não ignora. Ela perde tempo procurando o celular na bolsa, debaixo da cama ou pia na banheiro. Mas, vez em quando, ela sabe ignorar, também. Não sabe dançar. Recusa os convites, mas adora ser convidada. Odeia batom e gosta de brincos de pena.
    Mas por que ninguém conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que você ergueu no teu peito? Ela desconversa. Ri de canto de boca e me pergunta se eu fumo tentando desviar o assunto pra longe. Eu insisto. Falo coisas demodês e jogo no ar o fato de que eu a acho perfeita demais para não andar com algum sortudo lado-a-lado. Ela empina o nariz o fino, me lança teus olhos verdes escuro e ajeita-se sobre a mesa. Muda o tom e me fala: “Porque eu não quero”. E eu rio sem graça da minha maldita ideia de achar que todo mundo quer ter alguém para dividir os brownies.

O autor é: Hugo Rodrigues    




Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Texto da Semana - Fique Bem

     Oi Mademoiselles, hoje trago mais um texto da semana para vocês, e o hoje o texto é o site Entenda os Homes. Espero que gostem.


Crônica sobre um amor menos egoísta


     Apenas esteja bem. Não precisa me contar sobre a sua sorte, apenas estampe no rosto um ar de tranqüilidade e sutileza.
     Eu juro que não me importo com a sua distância, mas esteja onde estiver, esteja bem. Mesmo que não seja pra mim, estampe esse sorriso lindo no rosto e tenha brilho nos olhos, mesmo que, de longe, eu não possa ver.
     Pode ir. Só não lamente enquanto arruma as malas. Espero que, mesmo longe da nossa cama, você durma tranqüilo. E se der, volta pra me contar que não teve mais aqueles pesadelos e que está cuidando do seu braço machucado. Diz que tem estado de melhor humor, só pra eu saber e ficar feliz também.
     Não precisa mais elogiar o meu cabelo, mas continue vendo beleza na vida. Mesmo que eu não esteja ao seu lado, faça o que você gosta de fazer. Xingue vendo futebol, só pra eu saber que você ainda tem humor  nem que seja pra ver o seu time perder. Não precisa mais ler o que eu escrevo, não. Mas diz pra mim que você ainda tem vontade de acordar e correr pra a vida.
     Não me abrace apertado daquele jeito, como quem precisa de um abrigo. Pode me dar um beijo distraído de quem está feliz demais pra prestar atenção em qualquer coisa que seja. Não fica perto dos nossos problemas que te roubaram o sorriso, não. Pode ir feliz e de bem com você. Eu vou estar te vendo de longe e vibrando contigo, mas eu prometo que não vou deixar você perceber.
     Viaja. Conhece as coisas, as pessoas e os lugares que te farão feliz. Conhece a si mesmo e me diz que gostou do que descobriu. Porque por nada nesse mundo eu quero ver a sua tristeza de perto. Não se eu puder evitar. Eu prefiro o teu sorriso distante que a tua lágrima molhando meu ombro.
     Espero que você vença essa saudade que você nem sabe do que é. Espero que o sol brilhe de novo pra você, que as borboletas invadam seu estômago de novo. Espero que você descubra novos hobbys e novos amigos, e, é claro, que alimente os antigos. Espero que amor não te falte – o meu nunca vai faltar.
     Se quiser, pode voltar. Meus olhos, possivelmente, ainda serão seus, e meu coração ainda estará pronto pra te aquecer. Nosso vinho ainda estará guardado, nossa cama ainda estará feita, nossas viagens ainda estarão programadas. Eu juro que posso esperar pela sua felicidade. Mas se não quiser voltar, continua gargalhando e brindando a vida em qualquer lugar. Eu vou brindar ao seu sorriso, mas fique bem. Apenas fique bem.

E a autora é: Nathalí Macedo


Gostaram do texto, deixem seus cometários!




Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Texto da Semana - Nunca foi amor!

     Oi Mademoiselles, hoje é segunda e eu trago mais um texto da semana para vocês, retirado do site Entenda os Homens.


Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser


     Estava pensando em não vir. No fundo, estou pensando nisso até agora. Mas fico aqui, com cara de taxo, olhando as suas coisas bagunçadas, os meus neurônios bagunçados, o meu coração bagunçado, o meu vestido bagunçado e tudo que estava quase arrumado em mim se confunde num segundo quando ele se aproxima como quem já aceitou casar comigo, mas não disse “sim”. Apenas me mira com sorriso de bobo me revirando ainda mais. Uma grata desgraça.
     Eu não queria vir. Na verdade, eu queria. Eu não queria era vir aqui, me apaixonar mais ainda e ter que ir embora sozinha. Porque sempre que venho, ele entra em mim, mas não mora. Ele me abraça, mas não me prende. Ele é meu par, mas não meu companheiro. Ele se deita, mas não fica. E eu continuo aqui sozinha mesmo sendo dois. Solidão besta. Não é fácil gostar dele. Já quis o matar tantas vezes. Mas ainda não morri.
     Mas daqui a pouco, depois de gozar em mim como se eu tivesse pedindo aquilo como um prêmio ou coisa assim, ele vai se virar para o lado, olhar no relógio umas quinhentas vezes, o celular vai tocar sem parar e, logo, logo, ele arrumará algo pra fazer e ir embora. Eu conheço o seu jogo. Vai dizer que precisa salvar o mundo, buscar a tia avó no hospital, ver futebol, reencontrar um amigo ou buscar a prima na faculdade, sei lá. Só sei que ele vai. E eu queria estar aqui quando ele voltasse. Eu queria que eu fosse o motivo para ele voltar. Queria que eu fosse seu mundo, sua tia avó, seu futebol, sua amiga, sua prima, sua puta ou coisa assim.
     Juro que vou embora antes mesmo dele entrar no banho. Mas ele sem camisa parece um canto sagrado. Mesmo com as leves marcas de queimadura na barriga só porque não sabe nem fritar um bife sem se machucar. Ele me pede faz-um-lanche? e eu já proponho banquete nupcial. Ele me pede umas horas no dia e eu já quero décadas juntos. Ele me pede um tiquinho de qualquer coisa e eu já venho com temporadas completas. Deve ser isso. Meu erro é mergulhar de cabeça, enquanto ele ainda molha os tornozelos. Quero saltar do avião e ele deseja apenas uma companhia para quando estiver nas nuvens. “Eu quero meter”, ele diz. “Eu quero te ter”, penso.
     Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser

     O autor é o Hugo Rodrigues  



     Me identifiquei muito com o texto, pois boa escorpiana que sou, me apego muito fácil, mais não me deixo enganar por qualquer um, mesmo que seja amor!
     Espero que tenham gostado do texto e acompanhem esse site, é muito bom! 




Beijos, Mademoiselle Carol

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Texto da semana - Partidas

     Oi Mademoiselles, hoje é segunda e eu tenho mais um texto para vocês! Hoje o texto é do site Entenda os Homens.
    Gostei bastante do texto pois já passei por situações parecidas com a do texto e todo sentimento que é colocado em palavras foi maravilhosamente bem descrito pelo autor.


A Partida





     O chamado feito por uma voz metálica ecoou em todo o aeroporto. Ela, a responsável pelas recentes marcas nas minhas costas e pelas permanentes cicatrizes na minha história, tristemente, precisava partir.
     Havíamos prorrogado ao máximo a nossa despedida, mas, infelizmente, não tínhamos mais tempo nem para um último café curto. O voo dela decolaria em cinco minutos e ela, incapaz de soltar a minha mão, ainda nem havia cruzado o portão de embarque.
     Pensei em não dizer nada, apenas virar as costas e evitar a dor daquele último abraço. Realmente pensei em sair correndo para não permitir que ela me visse, pela primeira vez na vida, aos prantos e barrancos. Pensei em segurá-la forte e implorar para que ela desistisse daquela nova e promissora vida, do novo e gelado país e, do novo e tão sonhado emprego, mas eu a amava a ponto de, quase sem coerência, torcer para que ela fosse feliz sem minhas caretas diárias.
     Então, pela última vez na vida, carreguei as malas dela. Fui forte como sempre fingi ser e, com a boca involuntariamente trêmula, engoli a imensa vontade de chorar como criança. Não disse mais nada e ela, já com as bochechas molhadas, apenas me disse para ficar bem e para eu me cuidar. Pensei que não seria capaz de me cuidar sem a presença dela. Pensei, mas não disse nada. Apenas sorri com o maior esforço do mundo, pois, ao contrário da minha real vontade, não queria desencorajá-la ou impedi-la de correr atrás daquilo que ela sempre quis.
     Segurei-a pelas orelhas, colei a ponta do meu nariz no dela e, olhando-a no centro das retinas, sem abrir a boca, desejei-lhe a maior sorte do mundo.
     Ela embarcou naquele avião e eu, finalmente, deixei as lágrimas caírem. Corri para o bar no qual nos conhecemos, pedi uma garrafa de rum e lá, depois de onze horas tentando pensar em um plano para me reinventar, recebi um SMS dela que dizia: “Ri, cheguei bem. Fique bem.”.
     Ela, diferente das últimas tantas vezes, não me chamou de “amor” e eu, já completamente embriagado, com muito esforço, escrevi: “Ficarei, não se preocupe. Cuide-se.”.
     Fechei a conta e, ali mesmo, mesmo sem querer, por necessidade e por medo de deixar o tempo parar: abri uma nova vida.


     O Autor do Texto é o Ricardo Coiro.


     Espero que tenham gostado e que quem, como eu já passou por essa situação, Infelizmente (ou felizmente) tenha sentido aquele aperto no peito novamente, como se estivesse vivendo aquele momento de novo.




Beijos, Mademoiselle Carol